Em um novo capítulo do embate entre Donald Trump e presidentes da América Latina, o líder colombiano, Gustavo Petro, acusou o norte-americano de planejar um golpe de Estado contra o governo dele. Em declaração publicada nas redes sociais, nesta terça-feira (21/10), Petro rebateu acusações do republicano, que o acusou de ter relação com o tráfico internacional de drogas.
“O presidente Trump não gosta de estar fora de controle, e aqui devo informar meu povo e o mundo, porque ele me fez fugir do controle, porque ele quer um golpe de Estado contra mim e porque o senador Bernie Moreno, quer violência contra a Colômbia”, afirmou Petro.
En el desastre de política antinarcóticos que ya ha matado a 27 lancheros del Caribe, toda gente pobre que, llevando o no llevando cocaína, han sido asesinados por misiles y que ya ha ganado una amenaza de invasión militar a Colombia y a Venezuela y que va a traer sanciones…
— Gustavo Petro (@petrogustavo) October 21, 2025
Provocações de Trump
As declarações ocorrem após Trump acusar Petro de ser “líder do tráfico de drogas” e anunciar a suspensão de subsídios enviados de Washington a Bogotá. Poucas horas depois, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, confirmou um novo ataque militar norte-americano contra uma suposta embarcação colombiana no Caribe — o sétimo desde o início da operação na região.
Segundo o Pentágono, o barco estaria ligado ao Exército de Libertação Nacional (ELN), classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista, e transportava “quantidades substanciais” de drogas ilícitas. O governo norte-americano, porém, não apresentou provas das alegações, e três pessoas morreram na operação.
Petro reagiu, afirmando que o ataque violou a soberania colombiana e resultou na morte de um pescador identificado como Alejandro Carranza, que, segundo familiares, não tinha envolvimento com o narcotráfico.
“Autoridades do governo dos EUA cometeram assassinatos e violaram nossa soberania em águas territoriais”, disse Petro, ao afirmar que o barco colombiano estava à deriva após uma pane no motor.
O presidente colombiano também criticou a chamada “guerra às drogas”, política que classificou como um fracasso histórico liderado por Washington desde os anos 1970.
“Mais de mil latino-americanos foram assassinados por diferentes motivos nesta estratégia fracassada, que não reduziu o consumo de drogas nos Estados Unidos nem na Europa. O que fez foi destruir exércitos, políticas e governos da América Latina”, escreveu.
Petro ainda afirmou que a recente ofensiva norte-americana no Caribe é parte de um projeto maior de intervenção e controle político na região, citando a Venezuela como exemplo.







