Ao longo da programação, que termina no domingo (21), serão oferecidos ainda debates e oficinas abertos ao público. No Cine Brasília, os espectadores também têm à disposição apresentações musicais, feirinha de artesanato e estandes com lanchonetes.
O Agente Secreto
O novo filme do cineasta Kleber Mendonça Filho vem encantando plateias ao redor do mundo. O longa faturou dois prêmios no Festival de Cannes, na França: Melhor Diretor e Melhor Ator para o protagonista, Wagner Moura. Agora, ele está entre os postulantes a defender o título do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2026. O selecionado será anunciado na próxima segunda-feira (15).
“O Festival de Brasília faz parte da minha formação como pessoa e como alguém que trabalha com o cinema. Eu comecei a vir aqui como jornalista e crítico, depois eu comecei a exibir meus curtas aqui. Mas eu não deixei de observar que O Agente Secreto vai estar abrindo a edição de 60 anos do festival e, para mim, é uma honra, é incrível estar aqui e a experiência coletiva de ver um filme no Cine Brasília é uma das melhores que existem no mundo. Exibir aqui é sensacional, é um dos meus cinemas preferidos no mundo”, exaltou o diretor, que já venceu um Candango, de Melhor Curta, em 2009, por Recife Frio.
“O cinema brasileiro hoje está em um período muito fértil, todo o mundo está vendo e isso é muito prazeroso, esse reconhecimento é muito bom, mas o principal para mim é o próprio povo brasileiro começar a amar o cinema brasileiro. Tudo isso que vem acontecendo nos últimos anos é algo que tem transformado a autoestima do povo brasileiro em relação à sua produção cinematográfica. E esse florescimento tão bonito é fruto de décadas, de muita gente, de muitos profissionais que vêm aí lutando para pavimentar esse caminho. Então, nós temos que celebrar pensando nessa grande linhagem de profissionais do audiovisual que vêm construindo esse caminho para a gente estar aqui hoje celebrando 60 anos deste festival. São ativos culturais, equipamentos culturais potentes, que a gente tem que lutar para que continuem existindo fortes”, emendou a atriz Maria Fernanda Cândido.Segundo o secretário de Cultura e Economia Criativa, Claudio Abrantes, estão em andamento os trâmites para a construção de um anexo do Cine Brasília
Haverá uma nova exibição do longa no Cine Brasília neste sábado (13), às 10h, seguida de um debate com o diretor e o elenco. Os ingressos, porém, já estão esgotados.
Festival
Criado em 1965, como Semana do Cinema Brasileiro, o FBCB chega aos 60 anos como a mais longeva mostra do país. O fato de esta ser a 58ª edição ao longo de seis décadas se dá em razão de um hiato de dois anos em meio à ditadura militar — na pandemia, o festival foi feito de forma remota.
Neste ano, a mostra homenageia a atriz Fernanda Montenegro, que completa 80 anos de carreira. Mas não faltarão honrarias ao legado do cineasta Vladimir Carvalho. Morto em novembro do ano passado, o ex-professor da Universidade de Brasília (UnB) foi figura marcante na história do FBCB e, hoje, dá nome à sala de exibições do Cine Brasília.
“As homenagens são muito importantes. A Fernanda Montenegro, por exemplo, tem essa característica primeiro de ser uma unanimidade nacional, mas ela foi ganhadora do prêmio de Melhor Atriz da primeira edição, em 1965. E está aí viva, plenamente produzindo, tem filmes e peças novas. Então, é uma pessoa que não só tem uma história consolidada, como está aí viva no seu auge de produtividade, mesmo na idade dela. Essas homenagens todas ajudam a fortalecer o festival, que é um festival com história e com tradição”, apontou o diretor artístico do FBCB, Eduardo Valente.
